fones noturnos

cada nota ao piano é um soco, um beijo na nuca
e a caixa que oca bate, ora é doce, ora arde
tais senhores de terno orquestrando minha mente

de onde surgiu tão irreverente, maluca?
me faz navegar pelas memórias até tarde…
revivendo momentos de noites mais quentes

que sopra devagar no meu ouvido
canto que ora sobe, ora cai
que o âmago da alma atrai

revela profundo em mim contido
ao sax, à lua, o medo, o stress
por isso, pra sempre te amarei
pra sempre e por essa noite
querido jazz.

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marejar

 

olho marejado. olho o mar e já penso:
e se o mar fosse, hoje, a nossa paixão?

seria calmo, agitado, raso ou imenso?
seria mar mesmo ou seria sertão?

vamos supor que seria sertão
seria tão seco que não dá pra molhar?
regar a secura com meu coração?

se nem todo mar que coube em mim
regou a secura do seu coração
o que seria cura então…?

olho marejado. olho o mar e já penso:
se cê secou de tanto chorar
morri afogado por tanta paixão.

oração para Deus com carinho

eu mesmo lavo meus pés
nunca fiquei à vontade
eu mesmo bebo meu sangue, bebo meu sangue
teu sangue não me deixa à vontade

prefiro meus perfumes baratos
seu alabastro é só uma metáfora
arrasto minha mente, ela voa, ela tá fora
tá fora dessa ciranda de raiva

ciranda de fogo destoa
destoa dessa linda passagem
nessa ciranda de fogo eu trago
trago minha dor, infame paisagem

subindo a escada do inferno
torcendo pra que haja perdão
não que eu me arrependa, caso arrependa
dizem aí que existe perdão

espero moratória nesse verso
não que eu não creia na história
não que eu queira alguma glória
se depender de oratória, consigo perdão
nessa oração

doce ilusão do marinheiro
que conduz a própria nau
não sabe que só é si ao espelho
do motim que lhe dá o aval
…pra seguir

segue em frente, sol tangente
o som das ondas, estridente
terra à vista, mostra os dentes
sorri, sorri, segue em frente.

o capitão e seu falso leme
estão como… Estocolmo…
apaixonados, falso perene
gosto de controlar a sua jornada

…por favor capitão. não blasfeme.

 

02/17 – ES

​ladrão mata civil e 

civil paga governo e 

governo paga polícia e 

polícia mata ladrão e 

civil vira polícia e 

governo não paga polícia mais e 

polícia vira ladrão e 

ladrão mata ladrão.
500 anos de perdão e 

polícia tira o brasão e 

polícia tira a polícia e 

governo chama soldado.
civil aplaude soldado e 

soldado mata ladrão e 

governo aplaude soldado e 

civil aplaude governo.
civil elege governo e 

governo exclui civil e 

civil vira ladrão mas

continua sendo civil.
governo mata polícia

governo mata soldado

governo mata civil.

puta que pariu.

já não sei mais quem é governo, polícia, ladrão ou civil.