primavera

não entendo o que aconteceu
fico sem explicação, perco a fé na razão
sem razão pra se ter fé.
minha estrutura, mesmo depois de um imenso terremoto
se manteve de pé…
mas mais forte do que qualquer terremoto,
tsunami, ou todas as catástrofes naturais juntas
mais forte é a ação do tempo
que como o vento
corrói as colunas de aço, oxida todas as vigas
separa…
almas unidas…
e junto com o tempo, vêm as chuvas, vêm os sóis
que abrem sorrisos, mas também molham lençóis
abrem abismos que originam rios, logo após
algas, logo após
peixes, caranguejos, caracóis
logo após.
e quando fecho os olhos, sentindo o chão tremer
abro devagar os estes olhos, assisto o verde crescer
no lugar do velho e rígido concreto que eu chamava de
“mundo”.
a verdade é que sou saudoso, sim, com o passado
e não consigo me acostumar com esse ‘novo’
e se eu tivesse a oportunidade,
com certeza,
voltaria pra só mais um abraço
mas sei que o nascer de uma flor
pressupõe o morrer da semente
e em minha mente, sei também que se aqui é inverno
em algum lugar é verão
e ansioso, fico na espera
que depois desses longos outonos
eu compartilhe com você mais uma primavera

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paz

Inundam os estalos ensurdecedores
caem as gotas, toneladas de dores
tempestades vis pra quem mora em barracos

ouçam os tambores! ouçam os tambores!
essas oferendas, nada agradam os credores
de milagres ilusórios que juntam os cacos.

arrepia-me até o último pêlo,
a possibilidade de vê-lo
Perder seu tesouro, seu sorriso no rosto
forçar no espelho com suco sem gosto.
Sem sal.
De salgado só as lágrimas das feridas abertas…
E no meio desse vendaval,
Uma enxurrada reviravoltas incertas
Um banco de praça me alerta
Que paz é estar nessa chuva toda e nem se molhar.

estrada II

Aqui estamos, novamente
Na estrada da vida, na rua da mente
Entre lapsos de preguiça, o tempo passa
Areia movediça,
mistura-se com a cobiça
de chegar logo e beber da taça
de sua pacífica mesa.
a alva luz refletindo a beleza
do lugar, dos convidados, de você
mas ainda há chão pra ser andado
asfalto pra ser pisado
horas que vêm cobrar nossas dívidas
dívidas com o mundo
com o tempo
e com espaço
elas vêm levando tudo o que tenho,
e quando elas se vão, eu venho
até sua porta dizer: cheguei!