do ser

nossos laços, repletos de nós
atam e desatam ao sussurro da voz.
giramos a sós, como luas e sóis
não viemos de ruas, somos girassóis.

sou parte de nós, sou parte de vós
sou vários retalhos desaguando na foz
sou foz de almas, que dissolvem veloz
nas palmas do tempo, preciso algoz.

homem moderno

o eternamente insatisfeito
vazio de peito, bate a porta
vazio de peito, não se conforta.

de um jeito qualquer, seu leito:
só é, sol foi.

“sou feito… homem feito!”
de razão cheio, de mágoa repleto,
mas não descoberto!

“sei que encubro.
o rubro de meus olhos
o rubro de meu ódio.
pago minhas contas e sou o que for pra ser!
sou até ser!
sou até só…
sou só.”

nosso nó

Tom: E

Pequena,
Mostra o teu calor
Não deixa apagar

Morena,
Esse teu sabor
Doma quem provar.

Óh, a cena
De nós dois juntos depois
Desata, amarra, empurra, agarra
Sorria chorando pra mim

Óh que pena, morena
Que a noite, serena
Pequena foi para o amor
Uma canção rouca
O gosto na boca
Restaram pra mim

O nosso nó que afroxou
Não tem porque soltar
O que de nós entrelaçou
Aperto devagar