tu

nas retas linhas dos teus cadernos
meus garranchos escrevo escondido
os passos errantes que faltam sentido
não cabem em certezas trajadas de terno

quisera ser eu assim tão assertivo
como tu, herdar tal dádiva do eterno
mas daninha sou nos teus campos floridos
um copo de água em meio ao inferno

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fones noturnos

cada nota ao piano é um soco, um beijo na nuca
e a caixa que oca bate, ora é doce, ora arde
tais senhores de terno orquestrando minha mente

de onde surgiu tão irreverente, maluca?
me faz navegar pelas memórias até tarde…
revivendo momentos de noites mais quentes

que sopra devagar no meu ouvido
canto que ora sobe, ora cai
que o âmago da alma atrai

revela profundo em mim contido
ao sax, à lua, o medo, o stress
por isso, pra sempre te amarei
pra sempre e por essa noite
querido jazz.