nosso nó

Tom: E

Pequena,
Mostra o teu calor
Não deixa apagar

Morena,
Esse teu sabor
Doma quem provar.

Óh, a cena
De nós dois juntos depois
Desata, amarra, empurra, agarra
Sorria chorando pra mim

Óh que pena, morena
Que a noite, serena
Pequena foi para o amor
Uma canção rouca
O gosto na boca
Restaram pra mim

O nosso nó que afroxou
Não tem porque soltar
O que de nós entrelaçou
Aperto devagar

nós

trecho da música Encontro, Oficina G3
Um nó, dois nós
Eu, mais um ou mais, um ser simplesmente
O eu poético do verdadeiro encontro
Nó, no plural, nós
Se o nó é na garganta e um de nós aflito
O outro sossegado, erudito, tem o antídoto
E assim, sucessiva, alternada
E alternativamente, amigos
Do saber, no lazer, no ócio e no labor
Buscando o equilíbrio, temperante
Dás-me que dou-to todo meu ser
Todo meu querer ser
Todo ouvido, havendo ouvido
E por seus conteúdos movido
Cada indivíduo vai e ver vir ávido dizer...
Conte comigo!

Nessa vida

Texto por Gabriel, o Pensador

A vida é uma caixinha de surpresas
E quantas surpresas ela traz pra nossa vida!
E quanta vida nós ganhamos de presente
nessa caixa de surpresa e de chegada e de saída!
Ponto de encontro e despedida
A vida é uma estrada de subidas e descidas
Essa estrada estranha que parece tão comprida
Mas que passa tão de pressa com essa pressa suicida
Pressa que me apressa quando eu desço na banguela
Forte feito o Mickael do Skate na favela
Solto na ladeira eu solto o freio de mão
E ando sem as pernas porque eu tenho coração
Eu vou com o coração e com o coração eu vôo
Eu vou de coração e com o coração eu dôo
o meu próprio coração e a vida que ele tem
que também foi doação, que eu recebi de alguém
– O presente valioso que é viver
Que a gente ganha e perde sem perceber
Que a gente adora e não sabe agradecer 
Ou agradece e se esquece de fazer por merecer.

A vida é uma carta sobre a mesa
E quantas tristezas ela obriga que eu suporte!
E quantas jogadas nós erramos realmente
nesse jogo de azar e sorte, nascimento e morte?
A gente fica sem saber o que dizer
Mas tudo que acontece é porque tem que acontecer
E o neném que vem e o que vai sem nem nascer
trazem uma mensagem que é difícil de entender
São uma lição que é difícil de aprender
Têm uma missão e são como têm que ser
Perfeitos feito o Mick e feito nós
Cada um de um jeito, cada um com a sua voz
O surdo-mudo, o maluco e o cantor
No riso de alegria ou na lágrima de dor
Seja como for, nós fazemos uma parte
E se vivemos aprendemos uma arte
– A arte milagrosa que é viver
Que a gente aprende e ensina sem saber
Que a gente entende mas não sabe descrever
Ou então escreve e se esquece de dizer.

A vida é uma espécie de brinquedo
E quantas verdades ela esconde em seus segredos!
E quanta bondade nos escapa pelos dedos
nessa luta entre amor e ódio, coragem e medo!
A vida é um livro sempre aberto
De páginas em branco feito as dunas de um deserto
Pegadas apagadas pelo vento que despista
Imagens e miragens que confundem a nossa vista
Fantasias e bandeiras coloridas
Máscaras! prontas para serem vestidas
Frases feitas – sob medida
E mentiras para serem desmentidas
A vida é uma idéia ou um verso
Vagando pela mente inexistente do universo
Que a gente quase sente quando acorda todo dia
Com a lama ainda calma e a mente mais vazia 
– O sentimento simples que é viver
Que a gente pira e respira sem querer
Que a gente ama e não sabe explicar
Ou tanto explica que se esquece de simplificar

Já que tenho forças, pra somar e dividir
Enquanto estivermos aqui
Estaremos fortes, navegando até o fim
Nessa vida
                  Cheia de surpresas boas!

Já que tenho forças, pra somar e dividir
Enquanto estivermos aqui
Estaremos fortes, navegando até o fim
Nessa vida
                  Cheia de surpresas ruins!

Já que tenho forças, pra somar e dividir
Enquanto estivermos aqui
Também tenho amor, e mantenho a luz acesa
Nessa vida
                  Cheia de surpresas.
                  Cheia de belezas.

um som sobre o tempo (em breve gravado)

como a brisa o tempo passa
você continua aqui
minhas piadas perdem a graça
mas você ainda sorri
o fogo ponteiro que queima o pavio é o mesmo que muda a matéria em mim
só a areia separa o presente vazio do fim

o pó se acha dono
do mundo e do destino
o pó é só carbono
dessa vida é clandestino
se os rios deságuam e o mar não se enche
porque o espelho é tanto pra ti?
o vento que sopra no norte é o mesmo daqui

ei relógio, me esquece
ampulheta, enlouquece
renovo minha prece
e te mando sair

a ruga aparece
alertando o que esta por vir

Aside

Clara e salgada,
Cabe em um olho e pesa uma tonelada,
Tem sabor de mar,
Pode ser discreta,
Inquilina da dor,
Morada predileta.,
Na calada ela vem,
Refém da vingança,
Irmã do desespero,
Rival da esperança,
Pode ser causada por vermes e mundanas
Ou pelo espinho da flor,
Cruel que você ama,
Amante do drama,
Vem pra minha cama,
Por querer, sem me perguntar me fez sofrer,
E eu que me julguei forte,
E eu que me senti,
Serei um fraco,
Quando outras delas vir,
Se o barato é louco e o processo é lento,
No momento,
Deixa eu caminhar contra o vento,
Do que adianta eu ser durão e o coração ser vulnerável,
O vento não, ele é suave, mas é frio e implacável,
(é quente) borrou a letra triste do poeta,
(só) correu no rosto pardo do profeta.
Verme sai da reta,
A lágrima de um homem vai cair,
Esse é o seu B.O. Pra eternidade,
Diz que homem não chora,
Ta bom, falou, não vai pra grupo irmão ai
Jesus chorou!