estrada

(texto feito em uma viagem de carro para campos)

paciência de um monge
ânsia de um feto
fim parece longe
passado parece perto

o futuro está aberto
tudo depende das decisões a se tomar
há quem goste de projeções ou estatísticas
eu só continuo a caminhar

e confiar

aliviado por não estar no volante
não paro de sonhar um instante
e se demora
é porque ainda não chegou
mas ao chegar, nem parece que demorou!

uma falsa história
tempo e memória,
dois amantes.
perceberam que as coisas não eram mais como antes
e por simples vingança,
criaram a hora
minuto
segundo
decretando assim, o fim do mundo.

ame mais

um grito
uma briga
penso aflito, mão amiga
onde estás?
um castigo, reflito
isso é paz?
como pode uma energia
simplesmente sumir?
não se deixe consumir…
mas não consuma a alegria!
alegria é de graça…
mas não aquela que passa
no comercial todo dia…
não, essa não.
lembre-se da traça, poética traça,
que não distingue classe social,
que não distingue raça,
corrói planos, sonhos, relações
traz pra uns gozo, pra outros desgraça.
lembre-se da graça, lembre-se do riso
veja, esse é meu ultimo aviso
não deixe que os lamentos se acumulem no abismo…
mesmo nadando em um mar de lágrimas
não há nada a ser feito
pense direito.

desabrochar

me desculpa mas,
alguma coisas são realmente difíceis de se explicar…
você sabe que eu falo melhor por sois, lás, rés
então, por favor, não estranhe quando você me encontrar
gaitano no quarto, rindo sozinho,
com semblante de quem está indo
encontrar alguém tão especial.
aquele alguém que muda suas concepções,
inverte as estações,
algo além de apelos e emoções…
algo real.

e como chegar lá?

um fechar de olhos é meu passaporte
e caso minhas forças falhem, e o caminho eu não suporte
sei que esse alguém do meu lado
compartilhará esse fardo pesado.

com a destra, divide o peso comigo
com a canhota, me toma ao colo.
e assim ensina-me que amar não é possuir,
mas vejo que sem ele, é construir muro sem tijolos.
(mas quão ruim meu cimento é!)

a morte é que trouxe vida, isso não faz sentido
a não ser, claro, para poetas
e em tempos do ‘olhar para o próprio umbigo’
em lugares de certezas incertas,
ele veio, me colocou nos braços
e me disse: filho.

desculpai pai, desculpai
sou carbono, e é tão difícil não me ligar
à matéria impura, pai
minh’alma é flor ainda dormida
que apenas pela morte que traz vida
poderá desabrochar.