poapropa

remo enquanto posso…
a neblina espessa envolve,
o frio corrói meus ossos,
o resto de fé se dissolve.

a luz esvai minha mente
o pulso fica mais forte
penso que quem já não sente
em vez da morte, tem sorte.

vazio que seca garganta
que vem com cheiro de chuva
que não avisa, espanta;
que deixa a visão turva.

não vejo nada mais que neblina!
voltas e voltas, pra nenhum lugar
não começa, não termina
fim não há, fim não há!
só alimento minha sina
de, sem rumo, remar.

areia

desço agora as ruas de pedra
sentindo falta do asfalto
as igrejas ao pôr do sol
também me lembram os pés descalços
na areia, nossos corpos se sujando
e eu dizendo naquele instante
“eternamente eu te amo”
“eternamente, eu te amo”
seu sorriso por aqui, custo achar
continuo vagando, procurando…
só que nenhuma destas camas me esquenta
seja lá quem estiver nelas
e beijando outros corpos, vejo
o quanto me deixou sequelas
meu padrão por muito tempo foi você
mas meu tempo já não é mais tão padrão
me iludo às vezes, nem sei porquê,
que voltar pra “casa”
pra areia
pra você
seria solução.