O amor grande não traz uma felicidade constante – é a principal cilada -, traz uma felicidade irregular, intensa, atávica, que voa muito mais do que o conforto. Na estabilidade, é fácil sair da felicidade e da tristeza. No amor, descobrimos o quanto podemos ser felizes. E incomoda ter que buscar mais felicidade. Descobrimos o quanto podemos também ser tristes, e incomoda que não sairemos da tristeza sem que o amor volte.
Há gente que não tem esperança para de arrepender. Que sente ciume de não ter sido assim antes e não se permite não ser mais como antes. Que vai terminar o amor pra não se mostrar incompetente. Que prefere adiar o julgamento a se abrir para a verdade. Que não perdoa no momento de se perdoar. Um amor miúdo vai ao psiquiatra de manhã e termina a relação de noite. O amor grande termina com o psiquiatra de manhã r se reconcilia à noite.
Porque o amor grande é uma insanidade lucida, nem os melhores amigos entendem, é detratar e se retratar com mais frequência do que se gostaria. Amor é o excesso de responsabilidade, de encargo, confiado a quem nos acompanha. Oferecemos o que não conseguimos alcançar.

Fabrício Carpinejar

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