augusta

ela despenca na rua
escorre com a garoa, ofuscada pela lua
pálida, trêmula, crua.

traga o intragável: seus anseios
leva nos seios o choro, o suor
molhada e seca, gozo e pó.

suas pernas, esguias
calcutam na noite fria
as sombras dos postes: guias
ela traga, ela estraga, é vazia.

encharcada, alma ensanguentada
afogada pelas ânsias, até ria!
a madrugada a toma calada,
afogada em sexo à lá ambrosia.

pensara ser Deus, mas não sabia
era mortal, era gentia
e se dissolveu na brisa
ao amanhecer o dia.

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