Preferências

Há quem diga que a mistura é sempre boa. Há quem prefira coisas puras. Há quem prefira… bem.
Preferir é algo que soa tão natural, uma habilidade que você abusa desde bebê. Há quem diga que o seio esquerdo era melhor, há quem prefira o direito…
E não existe “não preferir”. Você, por experiências, escolhe o que parece melhor. Escolhe as coisas que te deixam mais feliz, mais animado, mais focado. Aí te ensinam a escolher o que é melhor para o futuro.
Futuro…
Acho que não existiu algo tão apaixonante para nós, humanos, do que o futuro. Ainda mais quando percebemos que os limites são apenas ilusões impostas, e que, com muito trabalho, quase tudo é possível. Por causa disso a gente se acostuma a renunciar.
Renúncias…
Acho que não existe algo mais árduo do que renunciar pensando no futuro. Porque, afinal, o futuro, no presente, não basta de ilusão.
O futuro, no presente, é só imaginação.
Só existe a frustração por causa das expectativas, não é verdade?
Mas como não criar expectativas? Me diz? Sempre te cobram um gabriel 110%, um lucas acima do extraordinário, uma luisa excepcional. A sociedade não dá espaço para gente “comum”. Gente “comum” está fadada a viver de um jeito “comum”. Aulas de primário ensinam compaixão, coletividade, pensar no próximo. Te ensinam a descobrir, a questionar, a futucar pra saber… Ensino superior te ensina a competir.
E aí, qual é superior? Se nos privamos de algumas liberdades pra viver em sociedade, porque não podemos abraçar essa sociedade? 
As pessoas não conhecem o meio em que elas vivem!
Digo,
A maioria das pessoas trabalham pra ganhar dinheiro, e o dinheiro é uma moeda de troca. Você troca seu tempo, sua liberdade, pela sua sobrevivência. Mas será que não cabe viver, em vez de sobreviver?
Como é possível que pessoas não se interessem pela política? É pra ela que você entrega a maior parte do seu tempo. Você vai dar umas de suas maiores joias, nas mãos de quem só pensa em lucrar?

Tento entender o por quê dessa falta de interesse. Vambora.
O que nos diferencia dos outros animais: alma, consciência?
Só se for, porque na essência, na essência mesmo, nossos instintos nos dominam. A diferença é que colocamos a inteligência para justificar os instintos. Por exemplo, os homens sempre explorarão outros, mais fracos, para viver melhor. E estes usarão justificativas para mostrar aos oprimidos que eles estão destinados a viver daquele jeito. Mas se pensarmos, de verdade, os humanos que fazem seus próprios destinos!
Ó só: se aquela pessoa que você admira tanto fosse submetida a uma criação desgraçada, como a maioria dos brasileiros é, será que ela seria tão nobre assim? Sem educação, as pessoas ficam inúteis nesse sistema que a gente vive. Mas até isso controlam. É decidido quem terá acesso a educação, e quem não terá. Desse modo, o castelos de cartas toma a forma de cimento. O poder é perpetuado. Não como às antigas, de pai pra filho, aquela coisa toda monárquica. Eles perpetuam quem pode pensar, e quem não pode. Isso ficou mais claro pra mim ao ler a obra “vidas secas”, na qual uma família de retirantes vê na miséria o limitante para o seu pensamento. Sem o ato de pensar, contestar, raciocionar, somos bichos!
Me desculpem, não ficarei dentro de uma jaula, sendo alimentado por amendoíns e doces. Nasci para ser livre! Não digo que o Estado não é necessário, nem que a democracia é errada. Mas a partir do momento em que o seu irmão não tem direito ao que você tem, isso não é democracia. 

Já parou pra pensar no que te diferencia de um morador de rua? Tipo, quando vocês chegaram ao mundo, eram iguais. Mas o sistema escolheu seus avós, escolhendo seus pais, escolhendo você. Preferindo você. Não que uma pessoa “indigente” (não preciso comentar o substantivo) não seja digna, mas imagine se ela pudesse ter uma vida como a sua. Será que você seria melhor do que ela? hahaha. Mas se isso acontecesse, todo mundo ia ter que possuir um pouco menos, não é? Possuir menos, pra pensar no coletivo… Árduo demais.
Não vamos deixar pra buscar igualdade e amor em outros planos espirituais! Que sua missão seja, ao acordar, tentar fazer do seu redor algo mais próximo do paraíso. 

Não faça mal uso de sua liberdade. Compartilhar o amor verdadeiro em tempos de individualismo é tão revolucionário quanto derrubar pedágios. 

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